Governo retirou 4,3 mil crianças e adolescentes do trabalho infantil em 2025, maior número da última década

15/06/2026 às 00:17 3 leituras

Recorde na Erradicação do Trabalho Infantil

O combate ao trabalho infantil no Brasil registrou um marco histórico. A Auditoria-Fiscal do Trabalho retirou 4.318 crianças e adolescentes de situações de trabalho irregular ao longo do ano de 2025. Esse número representa o melhor resultado alcançado pela fiscalização na última década. Para atingir essa marca, foram realizadas 10.234 ações de fiscalização em todo o território nacional.

A divulgação dos dados coincide com as ações do Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, destacando o fortalecimento das estratégias de proteção à infância e à adolescência e a intensificação das vistorias promovidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Em um caso correlato no Ceará, uma empresária foi condenada a pagar indenização de R$ 75 mil a uma mulher vítima de trabalho infantil e análogo à escravidão.

Gravidade das Ocorrências e Setores Afetados

Os dados consolidados de 2025 revelam que a maior parte das autuações envolveu situações de extrema gravidade. Mais de 70% dos jovens resgatados estavam submetidos às chamadas piores formas de trabalho infantil, categoria que reúne atividades que acarretam riscos severos à saúde, segurança, moralidade e desenvolvimento físico e psicológico.

As ações fiscalizatórias concentraram-se em segmentos econômicos com histórico de utilização de mão de obra infantojuvenil. Os principais setores identificados foram:

  • Comércio varejista
  • Serviços ambulantes de alimentação
  • Restaurantes e lanchonetes
  • Supermercados
  • Oficinas mecânicas
  • Atividades industriais específicas

A incidência do trabalho infantil foi constatada tanto em áreas urbanas quanto rurais, reforçando a necessidade de uma atuação contínua dos órgãos de fiscalização e da rede de proteção social.

Balanço Comparativo das AçõesPeríodoAções FiscaisJovens AfastadosPiores Formas (%)Ano de 202510.2344.318Mais de 70%Jan-Abr de 20262.9011.10876,99%Distribuição Geográfica dos Resgates

A concentração geográfica dos casos de afastamento em 2025 apontou maior incidência em determinados estados brasileiros. Os maiores índices foram registrados nos seguintes locais:

  • Minas Gerais
  • São Paulo
  • Mato Grosso do Sul
  • Pernambuco
  • Rio Grande do Sul
  • Espírito Santo
  • Bahia
  • Rio de Janeiro

Já no primeiro quadrimestre de 2026, entre janeiro e abril, a Inspeção do Trabalho realizou 2.901 ações fiscais no país, resultando no afastamento de mais 1.108 crianças e adolescentes. Desse total, 76,99% das ocorrências enquadravam-se nas piores formas de trabalho infantil, superando proporcionalmente o índice do ano anterior. Nesse período de 2026, os estados com maior número de afastamentos foram:

  • Minas Gerais
  • São Paulo
  • Mato Grosso do Sul
  • Pernambuco
  • Paraná
  • Rio Grande do Sul
  • Goiás
  • Bahia
  • Espírito Santo

Políticas Públicas e Canais de Denúncia

De acordo com a coordenação de Erradicação e Fiscalização do Trabalho Infantil da Secretaria de Inspeção do Trabalho, representada por Roberto Padilha Guimarães, os resultados obtidos em 2025 e no início de 2026 ressaltam o papel crucial da fiscalização para identificar, interromper e prevenir a exploração infantojuvenil.

A estratégia nacional de erradicação do trabalho infantil prevê não apenas o afastamento imediato das atividades proibidas, mas também a articulação com conselhos tutelares e a rede de proteção social para garantir a inserção das famílias em programas socioeconômicos, rompendo ciclos de vulnerabilidade.

O governo federal elenca o combate à exploração de menores como prioridade de gestão, buscando assegurar direitos fundamentais como educação, saúde, alimentação, lazer e convivência familiar segura.

Suspeitas e flagrantes de trabalho infantil podem ser reportados de forma segura em todo o território nacional por meio do Sistema Ipê Trabalho Infantil, canal oficial de denúncias gerido pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

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