Governo retirou 4,3 mil crianças e adolescentes do trabalho infantil em 2025, maior número da última década
Recorde na Erradicação do Trabalho Infantil
O combate ao trabalho infantil no Brasil registrou um marco histórico. A Auditoria-Fiscal do Trabalho retirou 4.318 crianças e adolescentes de situações de trabalho irregular ao longo do ano de 2025. Esse número representa o melhor resultado alcançado pela fiscalização na última década. Para atingir essa marca, foram realizadas 10.234 ações de fiscalização em todo o território nacional.
A divulgação dos dados coincide com as ações do Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, destacando o fortalecimento das estratégias de proteção à infância e à adolescência e a intensificação das vistorias promovidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Em um caso correlato no Ceará, uma empresária foi condenada a pagar indenização de R$ 75 mil a uma mulher vítima de trabalho infantil e análogo à escravidão.
Gravidade das Ocorrências e Setores Afetados
Os dados consolidados de 2025 revelam que a maior parte das autuações envolveu situações de extrema gravidade. Mais de 70% dos jovens resgatados estavam submetidos às chamadas piores formas de trabalho infantil, categoria que reúne atividades que acarretam riscos severos à saúde, segurança, moralidade e desenvolvimento físico e psicológico.
As ações fiscalizatórias concentraram-se em segmentos econômicos com histórico de utilização de mão de obra infantojuvenil. Os principais setores identificados foram:
- Comércio varejista
- Serviços ambulantes de alimentação
- Restaurantes e lanchonetes
- Supermercados
- Oficinas mecânicas
- Atividades industriais específicas
A incidência do trabalho infantil foi constatada tanto em áreas urbanas quanto rurais, reforçando a necessidade de uma atuação contínua dos órgãos de fiscalização e da rede de proteção social.
Balanço Comparativo das AçõesPeríodoAções FiscaisJovens AfastadosPiores Formas (%)Ano de 202510.2344.318Mais de 70%Jan-Abr de 20262.9011.10876,99%Distribuição Geográfica dos Resgates
A concentração geográfica dos casos de afastamento em 2025 apontou maior incidência em determinados estados brasileiros. Os maiores índices foram registrados nos seguintes locais:
- Minas Gerais
- São Paulo
- Mato Grosso do Sul
- Pernambuco
- Rio Grande do Sul
- Espírito Santo
- Bahia
- Rio de Janeiro
Já no primeiro quadrimestre de 2026, entre janeiro e abril, a Inspeção do Trabalho realizou 2.901 ações fiscais no país, resultando no afastamento de mais 1.108 crianças e adolescentes. Desse total, 76,99% das ocorrências enquadravam-se nas piores formas de trabalho infantil, superando proporcionalmente o índice do ano anterior. Nesse período de 2026, os estados com maior número de afastamentos foram:
- Minas Gerais
- São Paulo
- Mato Grosso do Sul
- Pernambuco
- Paraná
- Rio Grande do Sul
- Goiás
- Bahia
- Espírito Santo
Políticas Públicas e Canais de Denúncia
De acordo com a coordenação de Erradicação e Fiscalização do Trabalho Infantil da Secretaria de Inspeção do Trabalho, representada por Roberto Padilha Guimarães, os resultados obtidos em 2025 e no início de 2026 ressaltam o papel crucial da fiscalização para identificar, interromper e prevenir a exploração infantojuvenil.
A estratégia nacional de erradicação do trabalho infantil prevê não apenas o afastamento imediato das atividades proibidas, mas também a articulação com conselhos tutelares e a rede de proteção social para garantir a inserção das famílias em programas socioeconômicos, rompendo ciclos de vulnerabilidade.
O governo federal elenca o combate à exploração de menores como prioridade de gestão, buscando assegurar direitos fundamentais como educação, saúde, alimentação, lazer e convivência familiar segura.
Suspeitas e flagrantes de trabalho infantil podem ser reportados de forma segura em todo o território nacional por meio do Sistema Ipê Trabalho Infantil, canal oficial de denúncias gerido pelo Ministério do Trabalho e Emprego.